O ground zero Europeu
No dia 11 de Setembro de 2001, no coração do mundo ocidental, EUA, teve lugar uma alteração da realidade da sociedade, alteração essa, que mudou o conceito de "segurança" interno, no caso dos EUA, e externo nas restantes províncias do império anglo-saxónico, os ataques das torres gémeas, o centro nevrálgico financeiro do mundo ocidental, marcou, na perspectiva ilusória da sociedade, no mundo do faz de conta, o nascimento de um novo inimigo, o terrorismo; por conta da vingança extrema, de um grupo de muçulmanos, mal equipados, sem formação militar ou para militar, desprovidos das cadeias de intellegence equiparáveis ao ocidente, conseguiram em poucos meses, elaborar um plano detalhado e executa-lo, sem serem notados, ou melhor, até se mostrarem, esta foi a percepção criada, na mente da sociedade, perception to the path of illusion.
2023 será o ground zero, da Europa, e desta vez, a percepção para o caminho da ilusão, não será fornecido pelo terrorismo, é um inside job, o terrorismo é interno.
A europa, nestas ultimas 2 décadas, iniciou a sua curva descendente mais acentuada, como sociedade, como bastião dos valores morais e sacros, como identidade europeia, a mais velha civilização da era moderna, está, como todas as civilizações na cronografia da historia da humanidade, no seu iniciar do final de vida.
A Europa será. efectivamente global, será globalmente uma parcela do mundo, onde a indigência será lactente, a pobreza uma realidade, uma sociedade destruída, mas depois do caos surge a ordem, in natura depois do caos surge a ordem harmoniosa, é o que a natureza nos revela, mas a natureza humana, é para todos os efeitos, de pouca previsibilidade, e essa nova ordem, pode não ser harmoniosa.
Podemos equiparar, estas duas ultimas décadas europeias, ao conto de Miguél de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, se este último, combatia moinhos de vento, e vivia uma paixão platónica, a sua Dulcineia, a Europa criou e difundiu os seus próprios moinhos de vento, e a sua paixão platónica e irreal, tais dogmas (no sentido opinativo e decisório), confluíram em uníssono, na destruição europeia, esses mesmos dogmas (no sentido do ensinamento), foram doutrinariamente impostos na sociedade, a sociedade europeia, partilha o mesmo espaço, a placa continental da europa, em termos geográficos, mas não partilha da mesma cultura simétrica, não partilha a língua, nem os modelos de estado e governação, e o dogma criado da Europa Unida, ou União Europeia, no espectro político, além do espectro mercantil, conseguiu efectivamente unir políticos, ávidos de poder, mas não conseguiu unir artificialmente, aquilo que naturalmente se divide, as sociedades.
Não existem nações, dentro da UE, existem províncias sob a batuta de um modelo político autoritário, a cúpula governativa da UE, é constituída por nomeação, autonomeação, o seu acesso está interdito há sociedade em geral, mesmo que, a Grécia nomeie um conjunto de cidadãos, para dirigir o seu país, provindos da sociedade geral, e não do stablishement, os mesmos eleitos, democraticamente, estão de forma autoritária sob o jugo da UE, e das suas politicas ditatoriais, os regimes ditatoriais, são formas de governo, onde as políticas são tacita e expressamente, deliberadas, por quem usa do poder, sem qualquer uso de ferramentas democráticas, sem consulta ou passiveis de contestação, isto é a europa unida de hoje.
Os problemas apresentados do foro económico-governativos europeus, e ultimamente até os problemas relacionados com a saúde, com o clima, com a energia, só são possíveis, nos moldes e nos trâmites apresentados, nas zona geográficas do mundo ocidental, ou melhor dizendo, nos sectores do mundo ocidentalizado, e o mundo está longe de ser maioritariamente ocidentalizado.
A europa, como parte do mundo ocidentalizado, imbui-se na doutrina do globalismo, as altas esferas da Europa, têm a real noção do significado do globalismo, e a mesma difere diametralmente da percepção e entendimento, na sociedade civil, enquanto na sociedade de forma geral, o globalismo é entendido como abertura ao mundo dos negócios, das oportunidades, da democracia, da liberdade de expressão e dos Direitos Humanos, a cúpula europeia, sabe que o globalismo é somente, o poder imposto pelo corporativismo.
O ocidente é dominado por instituições supra nacionais, que comandam sem nenhum freio, as sociedades nele inseridas, as soberanias nacionais, são meras ilusões, os governos nacionais, já que chamar estado, a um qualquer grupo de artistas circenses no poder, é pura demagogia, instituem se em uma tenda de circo, para o puro entretenimento da plateia, as massas, os governos debaixo do chapéu do globalismo, não detêm poder deliberatório, nem decisório, limitando se a seguir um a pauta pré-definida de entretenimento, as decisões que realmente importam, há muito se encontram definidas e de forma unilateral.
O globalismo é a forma mais subtil, mais apelativa, que as massas viram surgir, como o messias dos problemas do mundo, quando na realidade o globalismo é um regime de opressão, de mentira e de engano, foi na era do globalismo (iniciou se em 1968 no Clube de Roma), que o ocidente iniciou a campanha climáctica, desde 1968 que o painel IPCC (international Panel for Climate Change), busca incessantemente, para apresentar provas ao mundo acerca da antropogenia do clima, que não as possui, bem como no trabalho comissionado em 1972, "limites do crescimento", um estudo financiado pelo Clube de Roma, que além das sucessivas crises económicas, alimentares e de saúde, previa o colapso económico no sec. XXI.
Os últimos desenvolvimentos na Europa, podem e devem ser o Ground Zero, afinal, quantas mais crises económicas, sociais, de saúde e quantas guerras mais, está a sociedade europeia disposta a alimentar?, onde se encontram os limites das massas?, nascer no ocidente hoje, é uma pena capital, uma prisão perpetua da liberdade, se por um lado, abrem fronteiras físicas, por outro aprisionam as fronteiras individuais de cada individuo.
A Europa e os europeus, têm a oportunidade de queimar o velho e construir o novo, e esta será uma janela de oportunidade muito pequena, porque no momento em que o velho pegar fogo, duas forças se irão digladiar pelo futuro, a força da reconstrucção e a força da construcção, a primeira, significa erigir de novo os velhos dogmas, a segunda é a oportunidade de extinguir os velhos dogmas, caberá unicamente á sociedade a decisão da força que prevalecerá, se uma continuidade ou uma nova vida.
Valter Marques